sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pessoas incompreendidas

A cada dia que passa cada vez mais me convenço que parte da pouca vontade dos alunos não querer estudar é dos pais. Ou melhor dizendo, dos pais que se preocupem. Os que não se preocupam, não preocupam e ponto final.
Desde cedo que nos impõe a obrigação de estudar. Querem sempre mais, mais e mais. Não nos deixam viver um pouco à nossa maneira, não nos deixam fazer as nossas próprias escolhas. Não percebem que às vezes não tiramos boas notas porque não estudamos mas sim porque estamos numa má fase. Por vezes parece que não percebem que, além deles, nós também temos vida. Que a nossa vida não se resume á cama que está na casa deles, ás refeições que eles nos dão todos os dias, aos abraços e aos beijos, à roupa que nos compram e tão pouco o que eles dizem. Por vezes custa-lhes perceber que à medida que crescemos começa a haver outras prioridades, começamos a desenvolver a nossa personalidade, mesmo que essa não seja como eles desejam.
Os pais devem ensinar, devem amar, devem repreender, devem nos dar o que podem...mas não devem exigir uma coisa que vai contra a pessoa que nos tornamos. Devem perceber quando não conseguimos mais, devem perceber quando temos problemas mesmo que não nos apeteça falar, devem ficar felizes quando conseguimos ultrapassar uma meta e, o mais importante, devem apoiar-nos. Em qualquer situação, devem apoiar-nos.
Estava a ouvir a conversa de uma mãe e de uma filha no outro dia no metro, a filha disse-lhe “mamã vou tirar 5 a tudo, menos a educação física” e a mãe respondeu “és uma miséria D., não serves para nada. Não podias tirar cinco a tudo?!”.  Como é que a filha vai gostar de estudar? Se não lhe dão o devido mérito? Vai sentir que tudo o que fez, todas as horas que estudou, foi em vão.
Este é só um exemplo em milhares. De filhos que dão o litro e não são reconhecidos. O velho provérbio diz “Filhos criados, trabalhamos drobados”, mas não é bem assim. Aprendam a compreender-nos e a perceber que nós crescemos e mudamos, que tudo se torna mais simples. 

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